Vigilante com visão monocular conquista direito a benefício e reabilitação profissional

Decisão do TRF1 reforça a obrigatoriedade de o INSS custear a readaptação de segurados que não podem mais exercer sua profissão habitual.

Por Equipe IEPREV em 13 de Março de 2026

Decisão judicial assegura suporte previdenciário para trabalhador com limitação visual

A 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) proferiu uma decisão favorável a um segurado que atua como vigilante, portador de visão monocular. De forma unânime, o colegiado determinou que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) conceda o auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) e promova a reabilitação profissional do trabalhador, permitindo que ele aprenda uma nova função compatível com sua condição de saúde.

 

Análise da qualidade de segurado e perícia médica

Um ponto central do julgamento foi a validação da qualidade de segurado do autor. A justiça compreendeu que, embora a incapacidade tenha se manifestado nove meses após o fim do último emprego, o trabalhador ainda estava coberto pelo chamado período de graça. Esse intervalo previsto em lei permite que o cidadão mantenha seus direitos previdenciários por determinado tempo, mesmo sem realizar contribuições mensais.

A perícia médica constatou que a visão monocular, de origem natural, gera uma limitação parcial e permanente. Segundo o laudo, o segurado não está totalmente inválido para o mercado de trabalho, mas possui uma restrição severa que o impede especificamente de continuar na função de vigilante, ocupação que demanda visão plena para ser exercida com segurança.

 

O direito à reabilitação profissional

O relator do processo, desembargador federal João Luiz de Sousa, destacou em seu voto que a situação se enquadra no artigo 62 da Lei nº 8.213/91. A legislação prevê que o segurado incapaz de exercer sua atividade habitual deve ser submetido a um processo de reabilitação.

O magistrado enfatizou os seguintes pontos:

  • Incapacidade específica: O autor está total e permanentemente impedido de ser vigilante.

  • Capacidade residual: Existe a possibilidade de exercer outras profissões que não exijam a mesma acuidade visual.

  • Manutenção do benefício: O pagamento do auxílio-doença deve ser mantido obrigatoriamente pela autarquia enquanto durar o programa de readaptação.

 

Desfecho do caso

Ao acolher parcialmente o recurso, o Tribunal negou o pedido de auxílio-acidente, mas garantiu a proteção social necessária por meio do auxílio-doença acumulado com o encaminhamento ao programa de reabilitação profissional. A decisão reforça o entendimento de que o sistema previdenciário deve atuar como suporte para a reintegração do trabalhador ao mercado em funções que respeitem suas limitações físicas.

 

Número do Processo: 1021819.10.2025.4.01.9999

FONTE: TRF1

 

O pacote ideal para sua atuação no Direito Previdenciário. Teste grátis agora por 7 dias.

Colunista desde 2006

Sobre o autor desse conteúdo

Equipe IEPREV

O Instituto de Estudos Previdenciários (IEPREV), fundando em 2006 é uma instituição de destaque no cenário nacional, dedicada ao estudo, pesquisa e disseminação de conhecimento na área previdenciária. Fundado com o objetivo de promover a educação continuada e o aprimoramento técnico de profissionais que atuam no campo da previdência, o IEPREV tem se consolidado como uma referência para advogados, contadores, servidores públicos e demais interessados no tema. Além da atuação educacional e tecnologia, o IEPREV desempenha um papel fundamental na defesa dos direitos previdenciários por meio de iniciativas de grande impacto social. O Instituto elabora notas técnicas para orientar a advocacia e a sociedade em temas relevantes, participa ativamente como Amicus Curiae em ações judiciais estratégicas, contribuindo com pareceres técnicos para fortalecer teses em defesa dos segurados.

Os melhores conteúdos, dicas e notícias sobre direito previdenciário

Confira as últimas novidades em nosso blog

INSSÚltimas notícias
PEC e STF convergem para o fim da "Aposentadoria Premiada" na Magistratura

Decisão do Supremo e avanço de proposta no Senado buscam extinguir a aposentadoria compulsória como punição disciplinar para juízes e promotores.

Por Equipe IEPREV em 15 de Abril de 2026

AposentadoriaÚltimas notícias
Justiça Federal garante aposentadoria especial a comissária de voo após 26 anos de serviço

Decisão da 1ª Vara Federal de Santos reconhece exposição a agentes nocivos e determina que INSS conceda o benefício.

Por Equipe IEPREV em 14 de Abril de 2026

Benefícios previdenciáriosÚltimas notícias
TRU4 veda desconto automático em folha para cobrança de contribuições previdenciárias atrasadas

Decisão reafirma que valores devidos ao PSS possuem natureza tributária e devem seguir ritos do Código Tributário Nacional, impedindo a retenção direta nos rendimentos do servidor.

Por Equipe IEPREV em 9 de Abril de 2026

Ver todos