STF definirá incidência de contribuição previdenciária sobre 13º salário no aviso-prévio indenizado
Corte Suprema analisa se valores proporcionais pagos na rescisão possuem natureza salarial ou indenizatória para fins de tributação patronal.
Entenda a controvérsia jurídica sobre a tributação na rescisão contratual
O Supremo Tribunal Federal (STF) pautou uma discussão de grande impacto para o cenário previdenciário e trabalhista brasileiro. Os ministros vão determinar se a contribuição previdenciária a cargo do empregador deve incidir sobre o décimo terceiro salário proporcional referente ao período do aviso-prévio indenizado. A questão será analisada por meio do Recurso Extraordinário (RE) 1566336, que teve sua repercussão geral consolidada sob o Tema 1.445 no Plenário Virtual.
A controvérsia surge quando o trabalhador é dispensado sem a necessidade de cumprir o período de aviso trabalhando, mas recebe o valor financeiro correspondente. O ponto central do debate é definir se essa parcela específica guarda uma natureza de remuneração pelo trabalho ou se possui caráter estritamente indenizatório, o que afastaria a obrigação do recolhimento tributário.
O histórico do caso e o conflito de interpretações
O processo chegou à Suprema Corte após uma empresa questionar um entendimento anterior do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Naquela ocasião, ao julgar o Tema Repetitivo 1.170, o STJ havia decidido que a contribuição previdenciária era devida, por considerar que o 13º salário, mesmo que proporcional ao aviso indenizado, mantém sua essência salarial.
Em contrapartida, a defesa da empresa argumenta que a posição do STJ diverge da jurisprudência do próprio Supremo. A tese defendida pelo setor produtivo sustenta que o critério fundamental para a incidência da contribuição é a contraprestação por serviços efetivamente prestados. Como o aviso-prévio indenizado refere-se a um intervalo em que não houve atividade laboral, a tributação seria indevida.
Relevância social e econômica do julgamento
Ao votar pelo reconhecimento da repercussão geral, o ministro Edson Fachin, presidente do STF, ressaltou que o tema possui dimensões que ultrapassam os limites individuais das partes. Segundo o magistrado, a decisão é vital para garantir que o financiamento da Seguridade Social ocorra em plena harmonia com os princípios constitucionais. A análise envolve critérios jurídicos, políticos e econômicos de alta complexidade.
Apenas o ministro Gilmar Mendes divergiu da maioria, por entender que a discussão não apresentava natureza constitucional direta. Com a maioria formada, a tese que vier a ser estabelecida pelo STF deverá ser aplicada obrigatoriamente por todos os tribunais e instâncias inferiores do país. Até o momento, o Tribunal ainda não fixou uma data para o julgamento definitivo do mérito.
FONTE: STF